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Editorial

Fazendo história

Fotografar manifestações populares de grandes proporções é mais do que um exercício do olhar

Foi-se o tempo que o registro de fatos históricos eram restritos aos fotojornalistas ou a pequena parcela da população que tinha uma câmera fotográfica. Com o advento da tecnologia digital e a incorporação do telefone celular na vida das pessoas, todos os envolvidos passaram a contribuir para um processo histórico mais transparente, esvaziando a versão dos vencedores tradicionalmente registrados – e eternizados como verdade – nos livros de história.

Vivemos a era da informação e a imagem exerce sua grande cota de contribuição nesta mudança de paradigma. Embora possa ser questionável afirmar que contra a imagem não há argumentos, os movimentos populares que agitaram os dias de junho no Brasil poderiam ser contados de outra maneira não fosse a avalanche de imagens produzidas e reproduzidas na imprensa e redes sociais. O poder da imagem é tamanho que poderíamos interpretar a ação da polícia – no primeiro ato em São Paulo ao mirar suas armas contra quem fotografava – como estratégia deliberada do Estado com um único objetivo: impossibilitar o direito a informação.

A Photo Magazine convidou 10 fotojornalistas com atuações nos principais centros do país para que eles mostrem imagens que marcaram as manifestações. E também seus comentários a respeito de toda essa agitação. Alguns dos testemunhos confirmam a dificuldade para se trabalhar diante de um cenário tão belicoso por parte de policiais e, também, dos chamados vândalos, muitos deles mirando sua ira contra a imprensa. Algo antiquado se considerarmos que, com a internet, uma grande diversidade de matizes se oferece para quem quiser ler. Ou seja, a tecnologia digital enterrou o monopólio dos que os manifestantes chamam de imprensa burguesa, ou fascistas.

Pela grandiosidade do evento popular dos dias de junho, esta edição da Photo Magazine é histórica. Além dos fotojornalistas, a PM convidou três fotógrafos que nada tem a ver com o fotojornalismo. Eles mostram suas imagens e contam suas experiências do olho do furacão, nome de batismo do doc produzido pelo fotógrafo Michel de Souza. Nesta edição, você também confere matéria com a colecionadora espanhola Lola Garrido, entrevista com Ted Scott e o ensaio de Ana Carolina Fernandes. Boa leitura.